Vaginismo
ATENÇÃO!!! È permitida a utilização, total ou parcial, das idéias e dos textos abaixo, desde que indique a autoria da Profa. Maria Lúcia de Freitas Beraldo. A referência bibliográfica deve ser feita da seguinte maneira, de acordo com a NBR 6023 – ago./2000 :
Beraldo, M.L.F. Título do texto Disponível em: www.sexologiajf.com.br |
Acesso em:(colocar a data em que acessou a página).
Definição
O vaginismo é uma síndrome psicofisiológica, isto é, situação onde há um comprometimento tanto fisiológico quanto psicológico. Sua característica fundamental é a contração involuntária (recorrente ou persistente), dos músculos do períneo próximos ao terço inferior da vagina. Observe na figura abaixo: as setas mostram o local onde ocorre a tensão muscular que impede a penetração:

A origem do Vaginismo pode estar relacionada a:
Como identificar:
O vaginismo pode ser facilmente identificado, em uma consulta ginecológica, pela própria mulher sozinha, ou durante a atividade sexual. Na consulta ginecológica, quando a mulher vai fazer o exame preventivo, basta apenas colocar-se na cadeira de exame para ocorrer a contração, impedindo a sua realização. Considerando-se o papel importante do exame preventivo para a manutenção da saúde da mulher, a impossibilidade da realização deste também é algo preocupante. Sozinha, a mulher que possui o vaginismo é incapaz de colocar o dedo no interior da vagina, seja para se conhecer, colocar absorvente interno ou aplicar medicamentos.

Em algumas mulheres, até mesmo o fato de pensar na possibilidade da penetração vaginal pode provocar este espasmo muscular. A contração pode variar desde leve, induzindo alguma tensão e desconforto, até severa, impedindo completamente a penetração. Em alguns casos essa contração é tão severa que produz dores musculares em todo o corpo. Curiosamente, desde que não seja tentada ou prevista a penetração, a mulher pode, mesmo apresentando o vaginismo, ter resposta sexual normal, isto é, apresentar desejo, prazer e capacidade orgástica. Algumas inclusive têm sexo anal sem problema. Vemos então que a questão envolve não especificamente a incapacidade de relaxamento, e sim o surgimento de tensão especifica relacionada à penetração do pênis na vagina.
A Dinâmica psíquica da mulher vagínica
Frequentemente, quanto mais o parceiro tenta a penetração vaginal, mais a mulher fica apavorada, ou no mínimo ansiosa. A ansiedade libera cortisol e adrenalina na corrente sanguínea, que são neurotransmissores antagônicos àqueles ligados à excitação. Assim, interrompida a excitação, a lubrificação é cessada e, somada à contração muscular, torna a penetração extremamente difícil. O parceiro, diante desta dificuldade, tende a colocar um pouco mais de força, acreditando que, passada a glande pelo canal vaginal, tudo será resolvido. Contudo, é comum as mulheres interromperem a tentativa de coito neste ponto. Infelizmente, mesmo quando ocorre a penetração da glande, a fricção acontece em um meio sem lubrificação; além disso, por não haver mais a excitação, não ocorre a plataforma orgástica, e o contato do pênis pressiona direto no colo do útero. Toda a sensação de preenchimento é dolorosa, aproximando a situação a uma experiência de violência sexual (consentida ou não). Na próxima tentativa, mesmo que venha acompanhada de ótimas preliminares, a mulher se lembrará desta experiência e terá medo da dor que acredita que virá sentir novamente, estabelecendo um círculo vicioso.
Dinâmica psíquica do parceiro da mulher vagínica
O perfil do parceiro de uma mulher vagínica geralmente é o de um homem compreensivo e gentil (até porque o relacionamento amoroso pouco se sustenta com aqueles que fazem questão de penetração vaginal). A reação do homem à disfunção de sua parceira variará segundo a sua vulnerabilidade psicológica e sexual. Assim, ele poderá desde simplesmente sentir-se frustrado pela incapacidade de penetrar na sua parceira até interpretar esta disfunção como uma rejeição pessoal. Além disso, sua própria capacidade para funcionar sexualmente pode permanecer intacta, mas geralmente os parceiros de pacientes com vaginismo desenvolvem uma disfunção erétil secundária como reação à disfunção de sua mulher, criada por dois caminhos: um deles é a perda da excitação devido ao fato da penetração representar a interrupção de algo prazeroso para enfrentar um problema; o outro é a contaminação deste pela ansiedade da parceira.
Tratamento
Não existe medicamento específico para o vaginismo: é inadequado o uso de tranqüilizantes, pois a causa imediata do vaginismo não é a ansiedade da mulher sobre seu desempenho sexual, mas um espasmo involuntário. Assim, o tratamento indicado é um programa comportamental que se concentre no estiramento e dilatação gradual e progressiva dos músculos que circundam a vagina. Também não é recomendado o uso de anestésicos locais para tentar a penetração, pois este retira o prazer sexual.
O Terapeuta sexual, nestes casos, procurará desenvolver junto à paciente um maior conhecimento sobre si própria: seu corpo, suas crenças sobre a sexualidade, o significado da penetração e os medos que esta representa. Além disso, serão trabalhados os focos de tensão física, dessensibilizando a paciente para as reações de medo e valorizando as respostas positivas relacionadas ao ato sexual. São prescritas tarefas para casa com este fim, e é muito importante que estas sejam realizadas com afinco pela paciente. O prognóstico se torna mais positivo quanto mais rápido a paciente procura o atendimento profissional, pois as sucessivas experiências frustrantes para o casal e principalmente para a mulher podem complicar o quadro, seja danificando paulatinamente sua feminilidade e auto-estima, como também gerando conflitos entre o casal, muitas vezes difíceis de serem contornados. È importante deixar claro que o tratamento é eficiente mesmo quando a mulher está sem parceiro sexual.