ATENÇÃO!!! È permitida a utilização, total ou parcial, das idéias e dos textos abaixo, desde que indique a autoria da Profa. Maria Lúcia de Freitas Beraldo. A referência bibliográfica deve ser feita da seguinte maneira, de acordo com a NBR 6023 – ago./2000 : 

Beraldo, M.L.F. Título do texto Disponível em: www.sexologiajf.com.br | Acesso em:(colocar a data em que acessou a página).



A Terapia sexual pode variar segundo a formação (psicologia ou medicina) e o estilo profissional de cada terapeuta, além da linha de terapia à qual ele se baseia. Contudo, um tronco único e comum poderá ser encontrado, como a procura de um diagnóstico diferencial, bem como determinadas atuações durante o processo terapêutico.
Geralmente, a demanda do paciente está relacionada a uma disfunção sexual. Esta disfunção pode ter uma origem orgânica, psicológica ou mista.
A primeira busca que seu terapeuta fará será na esfera orgânica. Se for um médico, lhe examinará, e provavelmente pedirá alguns exames laboratoriais. Se você for homem, por exemplo, seu médico poderá lhe pedir dosagem hormonal, como testosterona, PSA, e outros, já que o fenômeno da ereção é susceptível a danos endocrinológicos, vasculares e neurológicos.
 Se for mulher, o mesmo irá acontecer, pois dificuldades na excitação, desejo e orgasmo também podem ter causas orgânicas. Este procedimento é muito importante, uma vez que muitas doenças são descobertas a partir da disfunção sexual. Além disso, praticamente todas as disfunções sexuais são consideradas mistas, isto é, têm um componente psicológico aliado ao aspecto orgânico.   Assim, se você for a um terapeuta sexual que tenha formação em psicologia, ele provavelmente lhe indicará um andrologista/urologista ou ginecologista de sua confiança para tais exames, pois geralmente trabalhamos em grupos. Você também pode adiantar o seu caminho consultando de antemão o seu médico de confiança.
Descartada a possibilidade orgânica pelo seu  médico, entramos na seara da terapia sexual em si. A terapia sexual é uma intervenção clínica do tipo focal e breve. Deste modo, há um foco de trabalho e objetivos pré-definidos no início da terapia, que, no caso, refere-se à questão sexual. O tempo de duração da terapia sexual é o tempo do paciente, e pode variar segundo o esforço e condições emocionais do indivíduo, bem como o grau de complexidade dos fatores que causaram e  mantêm a disfunção.
Assim, através de uma detalhada investigação sobre a vida afetiva e sexual do paciente, o terapeuta irá verificar, caso a/o paciente seja casado (ou tenha um relacionamento), se a causa do problema está na dinâmica do relacionamento amoroso. È realmente uma área que precisa ser avaliada com cuidado, pois tanto as disfunções sexuais podem gerar conflitos conjugais quanto os conflitos conjugais podem gerar disfunções sexuais. Muitas vezes, falhas na comunicação, desencontros na área sexual ou dificuldade na administração de conflitos podem gerar uma disfunção sexual.
Um ponto que deve estar bastante claro para quem passa por um problema sexual é que, para a terapia sexual, se o paciente no momento se relaciona com alguém, é importante a participação deste companheiro (a), uma vez que se trata da vida sexual do par. Se houver uma boa aliança entre o casal, não será necessário que o parceiro participe de todas as sessões. Contudo, se houver arestas a serem acertadas, como as dificuldades comentadas acima, será importante que haja uma intervenção clínica na dinâmica do casal, pois de nada adianta investir na atividade sexual se o problema que causa ou mantém a disfunção se mantiver  presente.
Contudo, se o relacionamento estiver muito turbulento, com uma distância muito grande entre os dois, e for detectado que esta dinâmica é que está interferindo na função sexual, poderá ser necessário adiar a intervenção sexual  e investir primeiro na terapia de casal. Esta terapia pode ser realizada com o próprio terapeuta se ele tiver formação, ou este poderá fazer um encaminhamento a um profissional que ele considerar adequado.
Outro aspecto a ser avaliado por seu terapeuta será o aspecto psicodinâmico, ou seja, a construção da sua afetividade, sexualidade, feminilidade/masculinidade. Assim, durante o processo terapêutico, o centro da atenção do terapeuta será investigar, na vida do paciente, fatores relacionados à construção e exercício da  sua sexualidade e a relação desta  com a queixa. Deste modo, o terapeuta irá buscar dados que indiquem a presença de fatores que predispõem,  que desencadeiam e que mantêm a disfunção sexual.
Os fatores que predispõem uma disfunção sexual geralmente estão ligados a um passado mais remoto: são crenças e valores incutidos no indivíduo pela família e sociedade ao longo de sua socialização. Pode ser também experiências específicas que causaram algum impacto na sexualidade do indivíduo, mas que só vai aparecer quando algum outro episódio mais recente estiver diretamente relacionado a ele, desencadeando a disfunção. Já o que irá manter a disfunção refere-se a fatores intrapsíquicos, está relacionado a interpretação dos fatos (tanto ao que predispôs quanto ao que desencadeou a disfunção), gerando um estado emocional perturbador que acaba mantendo a disfunção, num desagradável círculo vicioso. Caso queira mais detalhes sobre estes fatores, clique nos links abaixo:

  1. fatores que predispõem a disfunção sexual
  2. Fatores que desencadeiam a disfunção
  3. Fatores mantenedores da disfunção sexual

Como funciona a terapia sexual?
Sendo uma terapia breve, o foco é o momento atual, e as referências ao passado servem para se ter um conhecimento maior sobre o indivíduo e suas circunstâncias. No início da terapia, paciente e terapeuta poderão traçar juntos as metas em relação ao problema, sendo para isso necessário que o paciente se comprometa em:

  1. Ter uma presença regular. Geralmente, os encontros são semanais, com duração em torno de 40/50 minutos. Faltas frequentes quebram o fluxo do processo, dando a impressão de não se estar saindo do lugar.
  2. Estar empenhado em solucionar a origem e o que mantêm a disfunção. Este é um ponto importantíssimo: o prognóstico será mais favorável para aquele paciente cujo mal-estar originado pelo problema é maior do que o esforço introspectivo. Isto acontece porque o processo terapêutico coloca em evidência muitos sentimentos e emoções desagradáveis ou dolorosas, a fim de elucidá-las e retirar sua influência sobre o momento presente. Contudo, se o mal-estar do processo terapêutico for maior do que o mal-estar da disfunção, fatalmente a pessoa irá abandonar a terapia ou - o que é pior - começar a se auto-sabotar, mesmo que inconscientemente. Isto pode ser feito faltando as sessões, não realizando as tarefas, ou mantendo-se presente, mas emocionalmente pouco envolvido.

Atitudes do Terapeuta que você encontrará durante a terapia sexual

  • Acolhimento em relação aos seus sentimentos, mas questionamentos em relação a crenças disfuncionais que estejam promovendo ou mantendo as disfunções sexuais (existem técnicas específicas de testagem e confrontamento de crenças, dentro da linha cognitivo-comportamental).
  • Indicação de tarefas para casa, algumas a serem realizadas sozinho, outras com o companheiro (a). Estes exercícios têm a finalidade de fortalecer a autoconfiança, o erotismo e a afetividade do paciente e do casal.
  • Promoção de insight e alguma interpretação, dependendo da linha do terapeuta.