Ansiedade, temor de Desempenho e Disfunções Sexuais
ATENÇÃO!!! È permitida a utilização, total ou parcial, das idéias e dos textos abaixo, desde que indique a autoria da Profa. Maria Lúcia de Freitas Beraldo. A referência bibliográfica deve ser feita da seguinte maneira, de acordo com a NBR 6023 – ago./2000 :
Beraldo, M.L.F. Título do texto Disponível em: www.sexologiajf.com.br |
Acesso em:(colocar a data em que acessou a página).
Assim como os outros animais, quando nosso cérebro percebe uma situação como perigosa, ativa as áreas responsáveis pela sobrevivência. No caso, termos duas alternativas: lutar ou fugir. Em qualquer uma das duas, haverá liberação de cortisol (hormônio do estresse, o que tornará o nosso raciocínio mais rápido, e nossa concentração maior) e adrenalina, ambos produzidos pelas glândulas supra-renais. A adrenalina é um neurotransmissor e irá fazer com que o sangue flua com maior velocidade e intensidade para os músculos. Isso fará com que tenhamos mais força, seja para lutar ou para correr.
Apesar de a adrenalina estar presente nos momentos que antecedem o orgasmo, a sua presença no início do coito, aliada ao cortisol, funciona como um inibidor da resposta sexual. Isto acontece porque o sangue que deveria estar retido no Pênis e na região pélvica é deslocado para os músculos, e o homem, se tinha ereção, acaba por perdê-la. Por outro lado, se o homem já estiver ansioso e preocupado com o próprio desempenho, antes mesmo de ele começar o ato sexual a adrenalina e o cortisol já estarão presentes em sua corrente sanguínea. Com isso, ele poderá não chegar nem a ter ereção, ou a terá apenas parcialmente. Com sua auto-estima e autoconfiança abaladas, instala-se um círculo vicioso: estando preocupado com o desempenho, ele se desconcentra daquilo que o excita para observar a resposta física de seu corpo, preocupando-se com a possibilidade de ejacular ou perder a ereção. Assim, sem perceber, ele próprio sabota seu desempenho . Na maioria das vezes o homem acredita que está tranqüilo, mas isto pode acontecer a nível pré ou inconsciente, gerando ansiedade, que gerará o estresse, que trarão adrenalina e cortisol, perpetuando-se em um círculo vicioso.
No caso do homem que já teve o controle da ejaculação, mas que por algum momento passou a não tê-lo, ou seja, que tem uma disfunção secundária, podemos pensar também na ansiedade, mas agora originada por algo externo: problemas financeiros, de família ou conjugais. Neste último, disputa de poder, dificuldades na solução de conflitos, ou hostilidade inconsciente em relação à companheira pode estar desencadeando a disfunção. O caráter secundário, a princípio, apresenta um prognóstico bem favorável, pois o homem já sabe alguns “macetes” acerca de como ele funciona. Em casos como estes, um médico poderá prescrever algum medicamento para diminuir a ansiedade, que pode ser tomado de modo contínuo ou por demanda (ingerido pouco antes do sexo). Contudo, é importante que seja tomada uma atitude logo no início da instalação da disfunção, pois, sendo os problemas conjugais ou intrapsíquicos a causa da disfunção, é importante que esta parte seja solucionada, pois neste caso a eficiência dos medicamentos estará seriamente comprometida. Além disso, se a causa não for removida, depois de sucessivas experiências frustrantes, mesmo com o uso de medicamentos o homem se tornará um fácil prisioneiro do temor de desempenho, arrastando a relação para uma arena de conflitos ao comprometer a satisfação sexual do casal.