• ATENÇÃO!!! È permitida a utilização, total ou parcial, das idéias e dos textos abaixo, desde que indique a autoria da Profa. Maria Lúcia de Freitas Beraldo. A referência bibliográfica deve ser feita da seguinte maneira, de acordo com a NBR 6023 – ago./2000 : 

    Beraldo, M.L.F. Título do texto Disponível em: www.sexologiajf.com.br | Acesso em:(colocar a data em que acessou a página).

Desejo Sexual


(1) "Tenho 36 anos e sempre tive uma vida sexual ativa. Porém, há uns dois anos não tenho tido mais desejo de transar. Sinto-me cansada e meu marido reclama porque sempre fui muito fogosa. Agora, passo até mais de um mês sem fazer sexo. Tenho medo de perder o meu marido. Será que estou doente?"
O desejo sexual não é o mesmo ao longo da vida, pois sofre influência das diversas variações naturais  da existência. No seu caso, é importante analisar  o que mudou ou aconteceu ao longo destes dois anos: preocupações com doenças, seja  pessoal ou com familiares, problemas conjugais sérios  e  situações de estresse são fatores que, quando atuam de forma intensa e durante muito tempo,  diminuem o  desejo sexual.  È importante, neste caso, definir o fator causador e erradicá-lo da melhor forma possível. Em  alguns casos, no entanto, o que ocasiona a queda no desejo não é tão claro, agindo mais  no   campo inconsciente. Neste caso, a busca do apoio de um profissional da área é  o  mais adequado.
Maria Lúcia de Freitas Beraldo
Psicóloga/Sexóloga/Mestre em Sexualidade Humana

(2) Tenho medo de a minha namorada ser frígida. Por isso, queria saber mais sobre isso. O que é, como se caracteriza, a quem acomete, as formas de tratamento e, principalmente, se há cura. Agradeço a atenção e a possível ajuda.

O leitor pediu para não ser identificado

Tecnicamente abandonamos o termo "frigidez", por passar uma idéia de frieza, insensibilidade, que prejudica mais ainda a pessoa que já está com a auto-estima abalada. Hoje em dia referimos como "desejo sexual hipoativo", um dos transtornos do desejo, que ocorre quando a motivação sexual é extremamente baixa. Normalmente, para realizar o diagnóstico, verificamos se as fantasias sexuais e o desejo de atividade sexual são frequentemente deficientes (ou ausentes), mas para isso é necessário levar em consideração vários fatores, como a idade e o contexto da vida da pessoa. É observado também se o quadro chega a causar acentuado sofrimento e dificuldades no relacionamento com o parceiro. Além disso, é imprescindível observar se a origem da inibição do desejo sexual não é decorrente de causas não psicológicas, como baixa taxa hormonal, uso de drogas ou medicamentos, ou a uma condição médica geral, a fim de verificar se a origem refere-se a fatores psicológicos e orgânicos combinados. Qualquer pessoa pode apresentar um transtorno do desejo em algum momento da vida . Inclusive homens, mas as mulheres são maiores "vítimas" devido a algumas crenças e mitos que de alguma forma contribuem para a repressão da expressividade sexual feminina ao longo do seu desenvolvimento sexual. Este quadro pode ser permanente, isto é, a pessoa sempre teve baixa resposta sexual, ou adquirida - decorrente de algum fator recente na sua história pessoal. Pode ser global, ou seja, não há interesse por nenhum tipo de atividade sexual ou parceiro e não há nenhum tipo de fantasia sexual - ou situacional, onde a pessoa rejeita certa classe de parceiros, mas mantém o interesse pela masturbação, determinadas fantasias ou outros parceiros. Como você vê, o diagnóstico adequado só é possível a partir de minuciosa entrevista, normalmente mais de uma, a fim de verificar se a pessoa se encaixa dentro das definições e qual o quadro específico em que ela se encontra. Sendo isto feito, o profissional saberá definir qual a abordagem será mais promissora para o caso. Quanto ao prognóstico, é realmente difícil afirmar, pois depende muito de cada caso e sua complexidade. Contudo, havendo cumplicidade e disposição do casal, "é meio caminho andado". Sugiro que procurem um profissional para esclarecimentos mais aprofundados e, se necessário, um tratamento adequado.


(3) Namoro há cinco anos. Não sinto mais desejo sexual pelo meu namorado, mas ainda gosto dele. Tem  jeito de mudar isso? Como?  
A leitora preferiu não se identificar
A sua falta ou diminuição de desejo, embora seja o que mais lhe incomode, me parece ser mais um sintoma do que o problema principal. E não há como acabar com um sintoma sem saber e agir sobre o que o ocasionou. A intensidade do desejo não é constante na vida das pessoas: ele é afetado por variadas condições, como estados afetivos e saúde física, por exemplo. Muitas vezes, certos acontecimentos, embora possam não ter nada a ver com a vida afetiva – pelo menos diretamente – podem interferir no desejo. Acredito que, para você reverter esta situação, seria interessante alguns questionamentos: como era sua vida de um modo geral (trabalho, família, estudos, projetos pessoais), antes dessa queda do desejo e como está agora? Como era seu relacionamento com seu namorado, antes, e como está agora? O seu desejo sexual diminuiu só em relação a seu namorado ou a qualquer estímulo erótico? Você diz que está namorando há cinco anos. Este relacionamento está satisfazendo as expectativas que você tinha nos primeiros anos da relação? È... Acho que você vai ter muito que pensar neste fim de semana...


Maria Lúcia Beraldo
Psicóloga/mestre em Sexualidade humana